24 de dez de 2012

Dica de Leitura + Resenha

Aqui está um dos maravilhosos livros que eu tive o prazer de ler neste livro. Marina certamente está na minha lista de favoritos. Que tal conferir essa resenha?


Sinopse:

Neste livro, Zafón constrói um suspense envolvente em que Barcelona é a cidade-personagem, por onde o estudante de internato Óscar Drai, de 15 anos, passa todo o seu tempo livre, andando pelas ruas e se encantando com a arquitetura de seus casarões. É um desses antigos casarões aparentemente abandonados que chama a atenção de Oscar, que logo se aventura a entrar na casa. Lá dentro, o jovem se encanta com o som de uma belíssima voz e por um relógio de bolso quebrado e muito antigo. Mas ele se assusta com uma inesperada presença na sala de estar e foge, assustado, levando o relógio. Dias depois, ao retornar à casa para devolver o objeto roubado, conhece Marina, a jovem de olhos cinzentos que o leva a um cemitério, onde uma mulher coberta por um manto negro visita uma sepultura sem nome, sempre à mesma data, à mesma hora. Os dois passam então a tentar desvendar o mistério que ronda a mulher do cemitério, passando por palacetes e estufas abandonadas, lutando contra manequins vivos e se defrontando com o mesmo símbolo - uma mariposa negra - diversas vezes, nas mais aventurosas situações por entre os cantos remotos de Barcelona. Tudo isso pelos olhos de Oscar, o menino solitário que se apaixona por Marina e tudo o que a envolve, passando a conviver dia e noite com a falta de eletricidade do casarão, o amigável e doente pai da garota, Germán, o gato Kafka, e a coleção de pinturas espectrais da sala de retratos. Em Marina, o leitor é tragado para dentro de uma investigação cheia de mistérios, conhecendo, a cada capítulo, novas pistas e personagens de uma intrincada história sobre um imigrante de Praga que fez fama e fortuna em Barcelona e teve com sua bela esposa um fim trágico. Ou pelo menos é o que todos imaginam que tenha acontecido, a não ser por Oscar e Marina, que vão correr em busca da verdade - antes de saber que é ela que vai ao encontro deles, como declara um dos complexos personagens do livro. 


Minha opinião
Dizem que uma imagem vale mais do que mil palavras, na verdade, sempre discordei deste clichê, mas neste caso, se faz necessária uma alteração no ditado popular: Marina vale mais mil palavras. Há termos suficientes para descrever essa obra. Pouquíssimas vezes um livro fez o meu coração querer saltar pela garganta. Favoritei, adorei, amei! 
Eis aqui uma obra de arte, cheia de nuances, que você nunca se cansa de ver, rever e pedir bis. Marina é um livro cheio de metáforas, lições e frases, daquelas que se anota num papel e guarda-se este num lugar especial. 
A história é ambientada na Barcelona de 1980. Temos Óscar, um garoto que estuda num internato, que, graças a sua curiosidade, acaba entrelaçando a sua história com a de Marina, uma menina inteligente que sonha ser escritora, porém guarda um segredo que no final do livro revelar-se-á e faz com que os leitores debulhem-se em lágrimas. Juntamente com Marina, temos o seu pai Germán, um homem de idade avançada que na sua juventude era pintor.
O suspense começa a ocorrer a partir do momento que Óscar e Marina decidem ir atrás de uma misteriosa dama de preto, que todo último domingo do mês visita o mesmo túmulo sem identificação, e desde então, a vida de todos muda drasticamente. 
Impressionei-me com a escrita do espanhol Carlos Ruiz Zafón, rica em detalhes e descrições. Aqui está um livro que me surpreendeu desde o início. Tem aventura, suspense, romance e drama, tudo dosado com uma perfeição ímpar. Confesso, tenho um certo preconceito em relação a livros com menos de 200 páginas, mas Marina me fez rever os meus conceitos, provando que não é preciso um grande enredo repleto de episódios para se contar uma história inesquecível.

PS: fiz questão de separar um dos trechos mais emocionantes deste livro, a descrição de Óscar segundo Marina, pouco antes do seu falecimento:


"Meu amigo Óscar é um desses príncipes sem reino que andam por aí esperando que você o beije para se transformar em sapo. Entende tudo ao contrário, acho que é por isso que gosto tanto dele: as pessoas que acham que entendem tudo direito acabam fazendo tudo às avessas, e isso, vindo de alguém que vive metendo os pés pelas mãos, é muita coisa. Ele olha para mim e pensa que não estou vendo. Imagina que vou evaporar se ele e tocar e que, se não me tocar, quem vai evaporar é ele. Óscar me colocou num pedestal tão alto que não sabe mais como subir. Acha que meus lábios são a porta para o paraíso, mas não sabe que estão envenenados. Sou tão covarde que, para não perdê-lo, não digo nada. Finjo que não estou notando e que vou mesmo evaporar…
Meu amigo Óscar é desses príncipes que deveriam se manter afastados dos contos de fadas e das princesas que guardam. Não sabe que é o príncipe azul quem tem de beijar a bela adormecida para que ela desperte de seu sono eterno, mas isso acontecer porque Óscar não sabe que todos os contos são mentiras, embora nem todas as mentiras seja contos. Os príncipes não são encantados e as adormecidas, embora belas, nunca despertam de seu sono. É o melhor amigo que tive na via e se algum dia eu der de cara com Merlin, vou agradecer por ter colocado Óscar em meu caminho."




Mais informações e outras resenhas: aqui!

21 de dez de 2012


Todos prontos para o fim do mundo? haha Em clima totalmente natalino, teremos hoje um Aperte o play! totalmente temático, englobando diversos gêneros músicas com clipes que envolvam o Natal. Vamos lá?
  • Justin Bieber- Mistletoe


  • Coldplay- Christmas Lights


  • The Killers- The Cowboy's Christmas Ball


  • Colbie Caillat - Christmas In The Sand




17 de dez de 2012

Dica de Leitura + Resenha

Férias começando e o que isso significa? Mais tempo para os meus amados livros! Desta vez trouxe a resenha do livro Cidade das Cinzas, segundo volume da série Os Instrumentos Mortais, de Cassandra Clare.

Você pode conferir a resenha do primeiro volume da série, Cidade dos Ossos, aqui!

Sinopse:
Clary Fray só queria que sua vida voltasse ao normal. Mas o que é “normal” quando você é uma Caçadora de Sombras assassina de demônios, sua mãe está em um coma magicamente induzido e você de repente descobre que criaturas como lobisomens, vampiros e fadas realmente existem? Se Clary deixasse o mundo dos Caçadores de Sombras para trás, isso significaria mais tempo com o melhor amigo, Simon, que está se tornando mais do que só isso. Mas o mundo dos Caçadores não está disposto a abrir mão de Clary — especialmente o belo e irritante Jace, que por acaso ela descobriu ser seu irmão. E a única chance de salvar a mãe dos dois parece ser encontrar o perverso ex-Caçador de Sombras Valentim, que com certeza é louco, mau... e também o pai de Clary e Jace. Para complicar ainda mais, alguém na cidade de Nova York está matando jovens do Submundo. Será que Valentim está por trás dessas mortes? E se sim, qual é o seu objetivo? Quando o segundo dos Instrumentos Mortais, a Espada da Alma, é roubada, a aterrorizante Inquisidora chega ao Instituto para investigar — e suas suspeitas caem diretamente sobre Jace. Como Clary pode impedir os planos malignos de Valentim se Jace está disposto a trair tudo aquilo em que acredita para ajudar o pai? Nessa sequência de tirar o fôlego da série Os Instrumentos Mortais, Cassandra Clare atrai os leitores de volta para o lado mais obscuro do submundo de Nova York, onde amar nunca é seguro e o poder se torna a mais mortal das tentações. 


Minha opinião:
 Tão misterioso e eletrizante quanto o primeiro livro da série, Cidade das Cinzas é a continuação perfeita, que dá nós em linhas soltas e desata outras tantas meadas que dão um linha de prosseguimento excelente para o terceiro livro, Cidade de Vidro.
No livro permanece a escrita detalhista da escritora, a intertextualidade com Harry Potter (porém menos forte) e o romance, ah sim, o romance.
A personalidade totalmente particular de cada personagem da história dá a graça do livro. Nada de donzelas indefesas, heróis sem defeitos ou relacionamentos perfeitos. Cidade das Cinzas, assim como os outros livros da série, mostram indivíduos dotados de poderes especiais, mas nem por isso são divinos. 
Clary começa a entender o que se passa no Mundo Invisível e Valentim, seu perverso pai, volta a atacar, desta vez roubando a Espada da Alma. Entrelaçado a isso temos as mortes misteriosas de membros do Submundo e Simon que finalmente declara seu amor platônico por Clary, que é apaixonada pelo irmão, Jace. 
A autora não peca em nenhum momento, apesar de Cidade das Cinzas não se desenrolar com a mesma agilidade do primeiro volume da série e como a própria sinopse do livro nos diz, aqui temos uma sequência de tirar o fôlego, "onde amar nunca é seguro e o poder se torna a mais mortal das tentações. "


Mais informações e resenhas deste livro: aqui!

10 de dez de 2012

Para diversificar um pouco o roteiro de sempre, trago um dos melhores contos de Clarice Lispector, presente no livro Felicidade Clandestina. Leia!




Ela era gorda, baixa, sardenta e de cabelos excessivamente crespos, meio arruivados. Tinha um busto enorme; enquanto nós todas ainda éramos achatadas. Como se não bastasse, enchia os dois bolsos da blusa, por cima do busto, com balas. Mas possuía o que qualquer criança devoradora de histórias gostaria de ter: um pai dono de livraria.
Pouco aproveitava. E nós menos ainda: até para aniversário, em vez de pelo menos um livrinho barato, ela nos entregava em mãos um cartão-postal da loja do pai. Ainda por cima era de paisagem do Recife mesmo, onde morávamos, com suas pontes mais do que vistas. Atrás escrevia com letra bordadíssima palavras como "data natalícia" e "saudade".
Mas que talento tinha para a crueldade. Ela toda era pura vingança, chupando balas com barulho. Como essa menina devia nos odiar, nós que éramos imperdoavelmente bonitinhas, esguias, altinhas, de cabelos livres. Comigo exerceu com calma ferocidade o seu sadismo. Na minha ânsia de ler, eu nem notava as humilhações a que ela me submetia: continuava a implorar-lhe emprestados os livros que ela não lia.
Até que veio para ela o magno dia de começar a exercer sobre mim uma tortura chinesa. Como casualmente, informou-me que possuía As reinações de Narizinho, de Monteiro Lobato.
Era um livro grosso, meu Deus, era um livro para se ficar vivendo com ele, comendo-o, dormindo-o. E completamente acima de minhas posses. Disse-me que eu passasse pela sua casa no dia seguinte e que ela o emprestaria.
Até o dia seguinte eu me transformei na própria esperança da alegria: eu não vivia, eu nadava devagar num mar suave, as ondas me levavam e me traziam.
No dia seguinte fui à sua casa, literalmente correndo. Ela não morava num sobrado como eu, e sim numa casa. Não me mandou entrar. Olhando bem para meus olhos, disse-me que havia emprestado o livro a outra menina, e que eu voltasse no dia seguinte para buscá-lo. Boquiaberta, saí devagar, mas em breve a esperança de novo me tomava toda e eu recomeçava na rua a andar pulando, que era o meu modo estranho de andar pelas ruas de Recife. Dessa vez nem caí: guiava-me a promessa do livro, o dia seguinte viria, os dias seguintes seriam mais tarde a minha vida inteira, o amor pelo mundo me esperava, andei pulando pelas ruas como sempre e não caí nenhuma vez.
Mas não ficou simplesmente nisso. O plano secreto da filha do dono de livraria era tranquilo e diabólico. No dia seguinte lá estava eu à porta de sua casa, com um sorriso e o coração batendo. Para ouvir a resposta calma: o livro ainda não estava em seu poder, que eu voltasse no dia seguinte. Mal sabia eu como mais tarde, no decorrer da vida, o drama do "dia seguinte" com ela ia se repetir com meu coração batendo.
E assim continuou. Quanto tempo? Não sei. Ela sabia que era tempo indefinido, enquanto o fel não escorresse todo de seu corpo grosso. Eu já começara a adivinhar que ela me escolhera para eu sofrer, às vezes adivinho. Mas, adivinhando mesmo, às vezes aceito: como se quem quer me fazer sofrer esteja precisando danadamente que eu sofra.
Quanto tempo? Eu ia diariamente à sua casa, sem faltar um dia sequer. Às vezes ela dizia: pois o livro esteve comigo ontem de tarde, mas você só veio de manhã, de modo que o emprestei a outra menina. E eu, que não era dada a olheiras, sentia as olheiras se cavando sob os meus olhos espantados.
Até que um dia, quando eu estava à porta de sua casa, ouvindo humilde e silenciosa a sua recusa, apareceu sua mãe. Ela devia estar estranhando a aparição muda e diária daquela menina à porta de sua casa. Pediu explicações a nós duas. Houve uma confusão silenciosa, entrecortada de palavras pouco elucidativas. A senhora achava cada vez mais estranho o fato de não estar entendendo. Até que essa mãe boa entendeu. Voltou-se para a filha e com enorme surpresa exclamou: mas este livro nunca saiu daqui de casa e você nem quis ler!
E o pior para essa mulher não era a descoberta do que acontecia. Devia ser a descoberta horrorizada da filha que tinha. Ela nos espiava em silêncio: a potência de perversidade de sua filha desconhecida e a menina loura em pé à porta, exausta, ao vento das ruas de Recife. Foi então que, finalmente se refazendo, disse firme e calma para a filha: você vai emprestar o livro agora mesmo. E para mim: "E você fica com o livro por quanto tempo quiser." Entendem? Valia mais do que me dar o livro: "pelo tempo que eu quisesse" é tudo o que uma pessoa, grande ou pequena, pode ter a ousadia de querer.
Como contar o que se seguiu? Eu estava estonteada, e assim recebi o livro na mão. Acho que eu não disse nada. Peguei o livro. Não, não saí pulando como sempre. Saí andando bem devagar. Sei que segurava o livro grosso com as duas mãos, comprimindo-o contra o peito. Quanto tempo levei até chegar em casa, também pouco importa. Meu peito estava quente, meu coração pensativo.
Chegando em casa, não comecei a ler. Fingia que não o tinha, só para depois ter o susto de o ter. Horas depois abri-o, li algumas linhas maravilhosas, fechei-o de novo, fui passear pela casa, adiei ainda mais indo comer pão com manteiga, fingi que não sabia onde guardara o livro, achava-o, abria-o por alguns instantes. Criava as mais falsas dificuldades para aquela coisa clandestina que era a felicidade. A felicidade sempre iria ser clandestina para mim. Parece que eu já pressentia. Como demorei! Eu vivia no ar… Havia orgulho e pudor em mim. Eu era uma rainha delicada.
Às vezes sentava-me na rede, balançando-me com o livro aberto no colo, sem tocá-lo, em êxtase puríssimo.
Não era mais uma menina com um livro: era uma mulher com o seu amante. 

3 de dez de 2012

Passaporte Carimbado

Como o objetivo do Passaporte Carimbado não é, somente, falar sobre roteiros típicos de viagens e sim mostrar lugares diferentes, aqui estamos para falar sobre um museu a céu aberto. O destino do Passaporte Carimbado de hoje é Santorini, na Grécia! Bem-vindos à bordo!


Santorini é um arquipélago vulcânico circular localizado no extremo sul do grupo de ilhas gregas das Cíclades, no mar Egeu, a cerca de 200 km da cidade de Atenas.
Santorini é o vulcão mais ativo do denominado Arco Egeu, sendo constituída por uma grande cadeira submersa, rodeada pelos restos dos seus flancos. A forma atual da ilha deve-se, em grande parte, à erupção que há aproximadamente 3.500 anos (cerca de 1680 a.C) atrás destruiu o seu território.
Em Santorini, casas foram escavadas na rocha vulcânica porosa (que sobraram de uma grande explosão vulcânica há muitos anos, que afundou o centro da ilha). Partes dessas casas são visíveis e o cenário que resulta é geralmente entendido como sendo tipicamente grego.
As igrejas de Santorini (imagem no início do post), embora muitas no estilo arquitetônico cubista , mostram a influência ocidental no seu tamanho relativamente grande.As Igrejas de Santorini são uma característica da ilha. É em Oía que atingem o máximo esplendor mas também há bonitas igrejas em Firá, Firostefani e em Imerovigli. O azul das cúpulas combina com o azul do Mar Egeu.
Assim, antes do terremoto de 1956, haviam cerca de 260 igrejas na ilha. A fachada das igrejas e catedrais é dominada pela presença de torres gêmeas. Os mosteiros de Santorini são enormes, muitas vezes lembram fortalezas, como o Mosteiro de Profitis Ilias. Eles têm um pátio interior, arcadas e torres impressionantes.
As praias não são o ponto forte da ilha já que são de areia escura, algumas pretas de origem vulcânica, mas há inúmeros programas imperdíveis, como o pôr-do-sol na Vila de Óia, tido, por muitos, como o mais lindo pôr-do-sol do mundo.
Além de oferecer diversas opções de serviços, hotéis de luxo e vida noturna, pode-se curtir também diversas rotas de  caminhadas que revelam a beleza de Santorini que está escondida em suas montanhas, nas praias inacessíveis e nos seus caminhos vulcânicos.

Mais informações/detalhes sobre passeios: aqui, 


Quem ficou encantado com esta ilha e está louco para conhecê-la? Comente aí!